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terça-feira, 4 de março de 2008

NÃO


Não formar nenhuma ideia

Do que somos ou seremos

Mas entre as vozes que fogem

Precisar o que dizemos.

Dormir sonos ante-céus

Abismos que são infernos.

Dormir em paz. Dormir em paz,

Enfim a nota segura.

Lembrar pessoas e dias

Que penetraram no espaço

De eventos primaveris.

E dar a mão aos espectros

Beijá-los lendas,perfis.

Amar a sombra,a penumbra

Correr janelas e véus.

Saber que nada é verdade.

Dizer amor ao deserto

Abraçar quem nos ignora

Dormir com quem não nos vê

Mas precisar do calor.

De quem nunca nos encontra.


De Natércia Freire

Ilustração de Mário Silva

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

E LEVANTAM-SE AS PESSOAS


E levantam-se as pessoas

Como quem se adormecesse.

Preparam-se para o sono

De uma vigília nas ruas

Nas casas e nos empregos.


E naufragam e sufocam

Nas avenidas do Tempo.

Conversam como quem fecha

Creches gaiolas enterros

- Crianças aves e mortos.


Nos sorrisos e nos risos

Na lucidez dos reflexos

Pensam os tristes dos homens

Ganhar os dias correndo.

Mas são retidos nas sombras.

São amarrados ao vento.

São sacudidos em potros

E forcas de entendimento.

Eles que são cabeleiras,

Nas chuvas de outros intentos

Nos rios e nas goteiras.


E levantam-se as pessoas

Como quem fosse viver.


Dá o Sol por sobre o Dia

Faz o dia apodrecer.


(Maduro quer dizer Morte

Com toda a sabedoria)


Deitam-se então as pessoas

Para a morte de outro dia


De Natércia Freire

Imagem retirada de lunatica.blogs.sapo.pt