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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

NINGUÉM ME VENHA DAR VIDA


Ninguém me venha dar vida,

que estou morrendo de amor,

que estou feliz de morrer,

que não tenho mal nem dor,

que estou de sonho ferida,

que não me quero curar,

que estou deixando de ser

e não me quero encontrar,

que estou dentro de um navio

que sei que vai naufragar,

já não falo e ainda sorrio,

porque está perto de mim

o dono verde do mar

que busquei desde o começo,

e estava apenas no fim.


Corações por que chorais?

Preparai meu arremesso

para as algas e corais.


Fim ditoso,hora feliz:

guardai meu amor sem preço

que só quis a quem não quis.


De Cecília Meireles

(Rio de Janeiro, 1901-1964)