quinta-feira, 5 de junho de 2008

ELOGIO BARROCO DA BICICLETA




Para Gerson,pela victória do Flu


Redescubro,contigo,o pedalar eufórico

pelo caminho que a seu tempo se desdobra,

reolhando os beirais - eu que era um teórico

do ar livre - e revendo o passarame à obra.


Avivento,contigo,o coração,já lânguido

das quatro soníferas redondas almofadas

sobre as quais me entangui e bocejei,num trânsito

de corpos em corrida,mas de almas paradas.


Ó ágil e frágil bicicleta andarilha,

ó tubular engonço,ó vaca e andorinha,

ó menina travessa da escola fugida,

ó possuída brincadeira,ó querida filha,


dá-me as asas - trrrim! trrrim! - pra que eu possa traçar

no quotidiano asfalto um oito exemplar.


De Alexandre O'Neill

3 comentários:

Anônimo disse...

Claro que só podia ser O'Neill!
O surrealismo em cheio.
Sei que morreu com (poucos) mais de 60 anos. Mas tenho a sensação de ele ter desaparecido muito mais novo!
Talvez o sentisse mais "perto" de mim! Talvez lhe sentisse mais a falta!

Saravá, grande vate
mc

Sei que existes disse...

Muito bonito!
Beijocas grandes

tibeu disse...

Adoro poesia e adorei este blog. Parabens