quarta-feira, 24 de setembro de 2008

COM CINCO LETRAS DE SANGUE


De súbito três tiros na memória.
Apagaram-se se luzes. Noite. Noite.
De súbito três tiros nas palavras
um poeta calou-se apagou-se a canção.

De súbito um poema foi bombardeado
um poeta fechou-se nas vogais
cercado por consoantes que talvez
caminhassem cantando para um verso.

Eram granadas? Eram sílabas de fogo?
E de súbito a guerra. Noite. Noite. E um poeta
com cinco letras escreveu no chão: PORQUÊ?
Com cinco letras do seu próprio sangue.

De Manuel Alegre,in A Praça da Canção

3 comentários:

Anônimo disse...

Em força! Em cheio! Magnífico: pela raiva e pela emoção.

O homem, poeta (no melhor sentido), isso está fora de questão que o é.
E dos muito grandes!
Levantei-me para gritar: BRAVO!
BRAVÍSSIMO!

mc

Anônimo disse...

Ola boa noite
Agradeço a visita ao meu Blog, e fez-me abrir o apeteti falando de cachupa, lá fiz um post sobre a cachupa (risos)
Votos de um bom fim de semana, voltarei com mais calma para apreciar o seu blog
Teresa

aminhapele disse...

Olá,Teresa.
É verdade que a sua receita e a fotografia me abriram o apetite e,acima de tudo,me deixaram a saudade de uma prima caboverdiana(já falecida) que me proporcionava essa e outras delícias.
Foi em sua casa que conheci mornas e coladeiras e que aprendi meia dúzia de palavras em crioulo.
Um abraço.