terça-feira, 15 de janeiro de 2008

RETRATO DO HERÓI


Herói é quem num muro branco inscreve

O fogo da palavra que o liberta:

Sangue do homem novo que diz povo

e morre devagar de morte certa.


Homem é quem anónimo por leve

lhe ser o nome próprio traz aberta

a alma à fome fechado o corpo ao breve

instante em que a denúncia fica alerta.


Herói é quem morrendo perfilado

Não é santo nem mártir nem soldado

Mas apenas por último indefeso.



Homem é quem tombado apavorado

dá o sangue ao futuro e fica ileso

pois lutando apagado morre aceso.



De JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

Um comentário:

moitacarrasco disse...

Se certas criaturas (os moinantes) o lessem, o perscrutassem... Seriam como murros no respectivo estômago... Sobretudo as duas primeiras quadras... Fortérrimas!