quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

OS MEDOS


(plagiado,em parte,de António Ferreira)


É a medo que escrevo.A medo penso,

A medo sofro e empreendo e calo.

A medo peso os termos quando falo,

A medo me renego,me convenço.


A medo amo.A medo me pertenço.

A medo repouso no intervalo

De outros medos.A medo é que resvalo

O corpo escrutador,inquieto,tenso.


A medo durmo.A medo acordo.A medo

Invento.A medo passo,a medo fico.

A medo meço o pobre,meço o rico.


A medo guardo confissão,segredo,

Dúvida,fé.A medo tudo.

Que já me querem cego,surdo,mudo.


De JOSÉ CUTILEIRO

in "Versos da Mão Esquerda"

2 comentários:

moitacarrasco disse...

Plagiado ou não, gostei.

Os medos são, realmente, a causa de perturbação de tantos... São o motivo de frustração e insucesso de tantos outros...

E parece que não é fácil dominar os medos...

Sei que existes disse...

O medo é o pior inimigo que temos e que nos impede se sermos felizes.
Beijocas grandes