quarta-feira, 7 de novembro de 2007

NÃO


Não formar nenhuma ideia
Do que somos ou seremos
Mas entre as vozes que fogem
Precisar o que dizemos.
Dormir sonos ante-céus
Abismos que são infernos.
Dormir em paz.Dormir em paz,
Enfim a nota segura.
Lembrar pessoas e dias
Que me penetraram no espaço
De eventos primaveris.
E dar a mão aos espectros
Beijá-los lendas,perfis.
Amar a sombra,a penumbra
Correr janelas e véus.
Saber que nada é verdade.
Dizer amor ao deserto
Abraçar quem nos ignora
Dormir com quem não nos vê
Mas precisar do calor
De quem nunca nos encontra.

De NATÉRCIA FREIRE,in ANTOLOGIA POÉTICA

Um comentário:

moitacarrasco disse...

Belo poema.
Sem obedecer aos cânones concertadinhos da velha poesia das rimas e métricas...